quarta-feira, 1 de julho de 2009

Os pesadelos do pequeno Artur.

Um novo dia começava e o pequeno Artur lentamente abria seus olhos, ainda meio tonto da noite mal dormida, resultado de seus pesadelos e de todo barulho que tanto incomodava a vizinhança. Enquanto ia entendendo o que estava acontecendo, lembranças de seus maus sonhos respingavam em sua mente e aos poucos o pequeno Artur recordava-se dos pesadelos. O pior deles foi aquele em que não havia luz alguma e a solidão o fez sentir tão inseguro que mal sabia no que pensar, e o medo aumentava quanto mais as vozes sussurravam palavras que ele não compreendia, não por serem em outras línguas, mas por serem tantas e sussurros apenas. Era o medo de estar sozinho no meio de uma multidão de sussurros incompreensíveis.
Dizem que nossos sonhos nada mais são que recordações de nosso dia-a-dia, mas o que dizer de nossos pesadelos? E aqueles pesadelos sem pé nem cabeça? Pequeno Artur então lembrou que já havia se sentido assim antes, mas outrora não havia tantas vozes, apenas a solidão.
Sem ninguém com quem falar, muitas vezes o pequeno e solitário Artur imaginou uma voz com quem podia desabafar, mas as respostas as vezes eram duplas, as vezes contraditórias, ele simplesmente não tinha certeza em quem acreditar, qual delas estava certa? Isso o incomodava muito por que ele não entendia a razão de sua solidão, por que todos sumiram? Então, por algum tempo, o pequeno Artur começou a acreditar na voz que o acusava dizendo que ele era o principal culpado do sumiço de todos, que não havia nele atrativo algum ao ponto de cativar quem quer que seja. A dor da solidão misturada a rejeição só aumentava ao longo dessas conversas com esta voz, que no fundo parecia fazer sentido. Mas, por que, se o pequeno Artur se esforçava tanto em fazer o que era certo, em agradar a todos? Ele prezava a amizade e um relacionamento genuíno de sinceridade e auto-negação. Mas aquela voz parecia soar mais alto que qualquer um de seus atos de generosidade já realizados.
Foi quando, em meios a lembranças de quem ele realmente era e dos comentários afiados daquela voz maligna, agora já temida, que o pequeno Artur, em um ato de coragem resolveu enfrentar, como nunca antes, a voz que tanto o acusava.
Decidiu levantar-se e não mais dar ouvidos a qualquer coisa que não fosse o que ele realmente sabia de si mesmo. Lembrou-se da voz que lhe falava o quanto era importante. Aquela voz suave sempre lhe fazia bem, lhe mostrava o caminho, buscava o melhor que havia dentro dele.
São tantas as vozes que confundem, mas só poderia trazê-lo de volta... mas pra ouví-la, necessário seria calar-se a si mesmo.

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