Na minha infância toda igreja protestante tinha um quadro terrível, chamado “Os dois caminhos”. À direita, o caminho estreito, das abstenções e sacrifícios, que conduz ao céu: para ganhar o céu, após a morte, é preciso sofrer na terra, durante a vida. À esquerda, o caminho largo, cheio de prazeres, que conduz a um lago de fogo e enxofre. No alto desse cenário, resumo do mundo, flutuando no céu azul, o olho sem pálpebras de Deus, que tudo vê, indiferente e sem lágrimas. O olho de Deus não tem pálpebras porque ele nunca se fecha. Deus não dorme. É também um olho sem sorrisos. Os olhos, para sorrir, precisam de um rosto. Mas os olhos de Deus não estão num rosto. Estão dentro de um triângulo, figura geométrica perfeita. Deus é um teorema. Mantenho uma dessas gravuras emoldurada em rococós dourados pendurada numa parede. Para não me esquecer das coisas horríveis que os homens fazem com Deus. Deus não ri nunca?
quinta-feira, 29 de abril de 2010
DEUS NÃO RÍ NUNCA?
Na minha infância toda igreja protestante tinha um quadro terrível, chamado “Os dois caminhos”. À direita, o caminho estreito, das abstenções e sacrifícios, que conduz ao céu: para ganhar o céu, após a morte, é preciso sofrer na terra, durante a vida. À esquerda, o caminho largo, cheio de prazeres, que conduz a um lago de fogo e enxofre. No alto desse cenário, resumo do mundo, flutuando no céu azul, o olho sem pálpebras de Deus, que tudo vê, indiferente e sem lágrimas. O olho de Deus não tem pálpebras porque ele nunca se fecha. Deus não dorme. É também um olho sem sorrisos. Os olhos, para sorrir, precisam de um rosto. Mas os olhos de Deus não estão num rosto. Estão dentro de um triângulo, figura geométrica perfeita. Deus é um teorema. Mantenho uma dessas gravuras emoldurada em rococós dourados pendurada numa parede. Para não me esquecer das coisas horríveis que os homens fazem com Deus. Deus não ri nunca?
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