Discernir o Corpo de Cristo na verdade tem uma grande relevância na obra de Deus transcultural.
Em primeiro lugar, saber qual meu papel neste corpo, qual minha função verdadeira, não aquela imposta por forças externas, pois ela podem causar lesões sérias.
Em segundo lugar, saber que o corpo do qual estamos falando, tem vários membros, alguns deles mais próximos, e outros, mais distantes. Mesmo assim, são parte do mesmo corpo do qual eu pertenço, e para o completo funcionamento deste corpo, todos são de igual importância.
Até mesmo os mais desprezados d0s membros, aqueles mais feinhos, são de imensa importância para meu corpo. O corpo, ligado por juntas, nervos, ossos que se interligam fazendo uma coisa só, um ser só, e só está completo, se estiver inteiro, uma única coisa.
Meu lugar no corpo é importante, mas não mais importante que o membro ao lado.
Soube de um homem que teve que amputar as duas pernas. Não deve ser fácil, aposto que não.
Algumas vezes precisamos perder algo para lhe dar o valor devido. E cada membro deste corpo foi planejado minusciosamente para exercer uma função única, singular. E por causa disso, sua extrema importância. "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também". (1 Cor. 12:12)
Mesmo os membros mais afastados, precisam uns dos outros. Se somos a mão, não coçaremos as costas por estarem mais longe do que os pulsos? Tente coçar seu pulso direito com sua mão direita, vai perceber que é mais fácil coçar o ombro esquerdo. Atravessar de um lado para tocar um membro do outro lado, isso é fascinante!
Isso deveria servir para aqueles que pensam ser coração. E se mesmo o fossem, deveriam estar encarregados de bombear o sangue para todo o resto do corpo, até mesmo para os membros e órgãos mais longínquos.
Não entendeu ainda né? Deixe-me desenhar pra você.
Os irmão no Paquistão, no Marrocos, Na India... tem tanto valor para o corpo quanto eu. Sofrem um pouco mais, estão em lugares talvez menos privilegiados que eu. São membros calejados e que sofrem todo este atrito , para poder fazer o corpo caminhar, progredir. Assim como o dedo mínimo do pé, às vezes tão esquecido, desprezado e cheio de calos, mas de total importância para o equilibrio do corpo.
Agora eu entendo por que é importante discernir o corpo. Pois membro que não o faz, está provavelmente doente ou inativo. "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, pois é por não discernirmos o corpo de Cristo, que há entre nós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem." (1 Cor. 11: 28-30)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O Reconhecimento do Corpo.
O reconhecimento do corpo “Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória” - Colossenses 3:3-4
Certas situações misturam o trágico e o cômico de forma interessante. É o caso da notícia veiculada pelo portal Terra, sob o título “Homem é chamado para reconhecer o próprio corpo”: Vitório Fagundes Rodrigues, 57 anos, foi chamado pela polícia para reconhecer o próprio corpo no Departamento de Medicina Legal (DML) de Porto Alegre (RS) e confirmar que não estava morto. Rodrigues foi assaltado em outubro de 2006, quando entregou o carro e um documento de identificação da empresa onde trabalha. O crachá não tinha sua foto, apenas seu nome e os de seus pais. Rodrigues viajou a trabalho no dia 9 de março.
À tarde, a polícia entrou em contato com sua mulher para dizer que Rodrigues tinha morrido atropelado em Porto Alegre. Ela ligou para o celular do marido e ouviu do próprio que tudo estava bem. O hospital encaminhou o corpo que estava com o documento furtado para o Departamento de Medicina Legal e, logo depois, Rodrigues foi chamado para dizer que o morto não era ele. A advogada de Rodrigues questiona o procedimento do hospital e aguarda laudo do DML afirmando que seu cliente está vivo.
Ele pretende recorrer à Justiça para encontrar os responsáveis pela confusão.
Reconhecer o próprio corpo, depois de morto, não é para qualquer um. O pré-requisito é ter ressuscitado, literal ou figuradamente. Lázaro teve esse privilégio. Foi um dos poucos homens que, depois de morto, pôde se olhar no espelho e reconhecer o corpo que momentos antes havia estado na sepultura. Jesus não apenas se viu em carne antes de subir ao céu, como mostrou seu corpo aos discípulos como prova do poder de Deus: “E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” – João 21:27. Se você já morreu e ressuscitou com Cristo, não precisa se preocupar com o espelho.
Jesus não está pedindo que você reconheça o seu próprio corpo, pois ele está “escondido com Cristo em Deus”. O corpo que você passará a reconhecer e a discernir a partir de agora será o corpo Dele, a igreja: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice; pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, como e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” – I Cor. 11:28-31. Oswaldo Chirov
Certas situações misturam o trágico e o cômico de forma interessante. É o caso da notícia veiculada pelo portal Terra, sob o título “Homem é chamado para reconhecer o próprio corpo”: Vitório Fagundes Rodrigues, 57 anos, foi chamado pela polícia para reconhecer o próprio corpo no Departamento de Medicina Legal (DML) de Porto Alegre (RS) e confirmar que não estava morto. Rodrigues foi assaltado em outubro de 2006, quando entregou o carro e um documento de identificação da empresa onde trabalha. O crachá não tinha sua foto, apenas seu nome e os de seus pais. Rodrigues viajou a trabalho no dia 9 de março.
À tarde, a polícia entrou em contato com sua mulher para dizer que Rodrigues tinha morrido atropelado em Porto Alegre. Ela ligou para o celular do marido e ouviu do próprio que tudo estava bem. O hospital encaminhou o corpo que estava com o documento furtado para o Departamento de Medicina Legal e, logo depois, Rodrigues foi chamado para dizer que o morto não era ele. A advogada de Rodrigues questiona o procedimento do hospital e aguarda laudo do DML afirmando que seu cliente está vivo.
Ele pretende recorrer à Justiça para encontrar os responsáveis pela confusão.
Reconhecer o próprio corpo, depois de morto, não é para qualquer um. O pré-requisito é ter ressuscitado, literal ou figuradamente. Lázaro teve esse privilégio. Foi um dos poucos homens que, depois de morto, pôde se olhar no espelho e reconhecer o corpo que momentos antes havia estado na sepultura. Jesus não apenas se viu em carne antes de subir ao céu, como mostrou seu corpo aos discípulos como prova do poder de Deus: “E logo disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega também a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” – João 21:27. Se você já morreu e ressuscitou com Cristo, não precisa se preocupar com o espelho.
Jesus não está pedindo que você reconheça o seu próprio corpo, pois ele está “escondido com Cristo em Deus”. O corpo que você passará a reconhecer e a discernir a partir de agora será o corpo Dele, a igreja: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice; pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, como e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” – I Cor. 11:28-31. Oswaldo Chirov
domingo, 9 de maio de 2010
A sagrada vida.
Jesus encontra beleza nas pessoas que nós consideramos feias. Um dos maiores exemplos está na forma misericordiósa que Jesus trata o "Bom" ladrão, crucificado no mesmo dia que Jesus.
Várias vezes, nas passagens bíblicas, observamos Jesus voltando sua atenção, não para o mais favorecido e nem para o mais rico, e sim, o oposto. Jesus amou a prostituta, o ladrão, o sem graça, o excluído aos olhos da maioria. Jesus é a antítese de quase tudo o que vemos na vida da maioria dos cristãos atuais. Jesus priorizava a vida acima dos preceitos, acima das normas, das tradicões religiosas. Jesus curou no sábado, ou seja, abandonou a lei religiosa para alcançar o homem. Jesus sagrou a vida. Tudo que fizermos que favoreça a vida é aceito por Deus. Jesus usa a seguinte lógica: "se você tiver um boi que cair num poço num dia de sábado, você não tira? Então, qual a grande missão do evangelho? A grande missão do evangelho é a vida.
Várias vezes, nas passagens bíblicas, observamos Jesus voltando sua atenção, não para o mais favorecido e nem para o mais rico, e sim, o oposto. Jesus amou a prostituta, o ladrão, o sem graça, o excluído aos olhos da maioria. Jesus é a antítese de quase tudo o que vemos na vida da maioria dos cristãos atuais. Jesus priorizava a vida acima dos preceitos, acima das normas, das tradicões religiosas. Jesus curou no sábado, ou seja, abandonou a lei religiosa para alcançar o homem. Jesus sagrou a vida. Tudo que fizermos que favoreça a vida é aceito por Deus. Jesus usa a seguinte lógica: "se você tiver um boi que cair num poço num dia de sábado, você não tira? Então, qual a grande missão do evangelho? A grande missão do evangelho é a vida.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
DEUS NÃO RÍ NUNCA?
Na minha infância toda igreja protestante tinha um quadro terrível, chamado “Os dois caminhos”. À direita, o caminho estreito, das abstenções e sacrifícios, que conduz ao céu: para ganhar o céu, após a morte, é preciso sofrer na terra, durante a vida. À esquerda, o caminho largo, cheio de prazeres, que conduz a um lago de fogo e enxofre. No alto desse cenário, resumo do mundo, flutuando no céu azul, o olho sem pálpebras de Deus, que tudo vê, indiferente e sem lágrimas. O olho de Deus não tem pálpebras porque ele nunca se fecha. Deus não dorme. É também um olho sem sorrisos. Os olhos, para sorrir, precisam de um rosto. Mas os olhos de Deus não estão num rosto. Estão dentro de um triângulo, figura geométrica perfeita. Deus é um teorema. Mantenho uma dessas gravuras emoldurada em rococós dourados pendurada numa parede. Para não me esquecer das coisas horríveis que os homens fazem com Deus. Deus não ri nunca?
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Mais que um mero poema!
Parece estranho Sinto o mundo girando ao contrário Foi o amor que fugiu da sua casa E tudo se perdeu no tempo
É triste e real Eu vejo gente se enfrentando Por um prato de comida Água é saliva Êxtase é alívio, traz o fim dos dias E enquanto muitos dormem, outros se contorcem É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte
Você não viu? Quantas vezes já te alertaram Que a Terra vai sair de cartaz E com ela todos que atuaram? E nada muda, é sempre tão igual A vida segue a sina
Mães enterram filhos, filhos perdem amigos Amigos matam primos Jogam os corpos nas margens dos rios contaminados Por gigantes barcos Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro?
Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã Faça uma criança, plante uma semente Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
É pão e circo, veja A cada dose destilada, um acidente que alcooliza o ambiente Estraga qualquer face limpa De balada em balada vale tudo E as meninas Das barrigas tiram os filhos, calam seus meninos Selam seus destinos São apenas mais duas histórias destruídas Há tantas cores vivas caçando outras peles Movimentando a grife
A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato Em qualquer caso é apenas mais um chato
E ainda que a velha mania de sair pela tangente Saia pela culatra O que se faz aqui, ainda se paga aqui Deus deu mais que ar, coração e lar Deu livre arbítrio E o que você faz? E o que você faz?
Aqui jaz um coração
É triste e real Eu vejo gente se enfrentando Por um prato de comida Água é saliva Êxtase é alívio, traz o fim dos dias E enquanto muitos dormem, outros se contorcem É o frio que segue o rumo e com ele a sua sorte
Você não viu? Quantas vezes já te alertaram Que a Terra vai sair de cartaz E com ela todos que atuaram? E nada muda, é sempre tão igual A vida segue a sina
Mães enterram filhos, filhos perdem amigos Amigos matam primos Jogam os corpos nas margens dos rios contaminados Por gigantes barcos Aquilo no retrato é sangue ou óleo negro?
Aqui jaz um coração que bateu na sua porta às 7 da manhã Querendo sua atenção, pedindo a esmola de um simples amanhã Faça uma criança, plante uma semente Escreva um livro e que ele ensine algo de bom
A vida é mais que um mero poema Ela é real
É pão e circo, veja A cada dose destilada, um acidente que alcooliza o ambiente Estraga qualquer face limpa De balada em balada vale tudo E as meninas Das barrigas tiram os filhos, calam seus meninos Selam seus destinos São apenas mais duas histórias destruídas Há tantas cores vivas caçando outras peles Movimentando a grife
A moda agora é o humilhado engraxando seu sapato Em qualquer caso é apenas mais um chato
E ainda que a velha mania de sair pela tangente Saia pela culatra O que se faz aqui, ainda se paga aqui Deus deu mais que ar, coração e lar Deu livre arbítrio E o que você faz? E o que você faz?
Aqui jaz um coração
(Guilherme de Sá)
O Rei Nu!
“Havia um rei muito tolo que adorava roupas bonitas. Os tolos, geralmente, gostam de roupas bonitas. Pois esse rei enviava emissários por todo o país com a missão de comprar roupas diferentes. Era o melhor cliente da Daslu. Os seus guarda-roupas estavam entulhados com ternos, sapatos, gravatas de todas as cores e estilos. Eram tantas as suas roupas que ele estava muito triste porque seus emissários já não encontravam novidades.
Dois espertalhões ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e viram nisso uma oportunidade de se enriquecerem às custas da vaidade da Majestade. A vaidade torna bobas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores... Foi isso que aconteceu com um corvo vaidoso que estava pousado no galho de uma árvore com um queijo na boca: por acreditar nos elogios da raposa ficou sem queijo...
Pois os dois espertalhões-raposa foram até o palácio real e anunciaram-se na portaria, apresentando o seu cartão de visitas: “Doutor Severino e Doutor Valério, especialistas em tecidos mágicos.”
O rei já havia ouvido falar de tecidos de todos os tipos mas nunca ouvira falar de tecidos mágicos. Ficou curioso. Ordenou que os dois fossem trazidos à sua presença. Diante do rei fizeram uma profunda barretada, tirando seus chapéus.
“Falem-me sobre o tecido mágico”, ordenou o rei.
Um dos espertalhões, o mais loquaz, se pôs a falar.
“Majestade, diferente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo. Vestindo um terno feito com esse tecido Vossa Majestade será cercado apenas por pessoas inteligentes, pois somente elas o verão...”
O rei ficou encantado e imediatamente contratou os dois espertalhões, oferecendo-lhes um amplo aposento onde poderiam montar os seus teares e e tecer o tecido que só os inteligentes poderiam ver..
Passados alguns dias o rei mandou chamar o ministro da educação e ordenou-lhe que fosse examinar o tecido. O ministro dirigiu-se ao aposento onde os tecelões estavam trabalhando.
“Veja, excelência, a beleza do tecido”, disseram eles com a mãos estendidas. O ministro da educação não viu coisa alguma e entrou em pânico. “Meu Deus, eu não vejo o tecido, logo sou burro...” Resolveu, então, fazer de contas que era inteligente e começou a elogiar o tecido como sendo o mais belo que havia visto.
“Majestade”, relatou o minsitro da educação ao rei, “o tecido é incomparável, maravilhoso. De fato os tecelões são verdadeiras magos!” O rei ficou muito feliz.
Passados mais dois dias ele convocou o ministro da guerra e ordenou-lhe que examinasse o tecido. Aconteceu a mesma coisa. Ele não viu coisa alguma. “ Meu Deus”, ele disse, “ não sou inteligente. O ministro da educação viu e eu não estou vendo...” Resolveu adotar a mesma tática do ministro da educação e fez de contas que estava vendo. O rei ficou muito feliz com a seu relatório. E assim aconteceu com todos os outros ministros. Até que o rei resolveu pessoalmente ver o tecido maravilhoso. Mas, como os ministros, ele não viu coisa alguma porque nada havia para ser visto. Aí ele pensou: “Os ministros da educação, da guerra, das finanças, da cultura, das comunicações viram. São inteligentes. Mas eu não vejo nada! Sou burro. Não posso deixar que eles saibam da minha burrice porque pode ser que tal conhecimento venha a desestabilizar o meu governo...” O rei, então, entregou-se a elogios entusiasmados ao tecido que não havia.
O cerimonial do palácio determinou então que deveria haver uma grande festa para que todos vissem o rei em suas novas roupas. E todos ficaram sabendo que somente os inteligentes as veriam. A mídia, televisão e jornais, convidaram todos os cidadãos inteligentes a que comparecessem à solenidade.
No Dia da Pátria, a cidade engalanada, bandeiras por todos os lados, bandas de música, as ruas cheias, tocaram os clarins e ouviu-se uma voz pelos alto-falantes:
“Cidadãos do nosso país! Dentro de poucos instantes a sua inteligência será colocada à prova. O rei vai desfilar usando a roupa que só os inteligentes podem ver.”
Canhões dispararam uma salva de seis tiros. Ruflaram os tambores. Abriram-se os portões do palácio e o rei marchou vestido com a sua roupa nova.
Foi aquele oh! de espanto. Todos ficaram maravilhados. Como era linda a roupa do rei! Todos eram inteligentes.
No alto de uma árvore estava encarapitado um menino a quem não haviam explicado as propriedades mágicas da roupa do rei. Ele olhou, não viu roupa nenhuma, viu o rei pelado exibindo sua enorme barriga, suas nádegas murchas e vergonhas dependuradas. Ficou horrorizado e não se conteve. Deu um grito que a multidão inteira ouviu:
“O rei está pelado!
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. Seguido pelo grito enfurecido da multidão.
“Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É um subversivo, a serviço das elites!”
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força e o internaram num manicômio.
Dois espertalhões ouviram falar do gosto do rei pelas roupas e viram nisso uma oportunidade de se enriquecerem às custas da vaidade da Majestade. A vaidade torna bobas as pessoas: elas passam a acreditar nos elogios dos bajuladores... Foi isso que aconteceu com um corvo vaidoso que estava pousado no galho de uma árvore com um queijo na boca: por acreditar nos elogios da raposa ficou sem queijo...
Pois os dois espertalhões-raposa foram até o palácio real e anunciaram-se na portaria, apresentando o seu cartão de visitas: “Doutor Severino e Doutor Valério, especialistas em tecidos mágicos.”
O rei já havia ouvido falar de tecidos de todos os tipos mas nunca ouvira falar de tecidos mágicos. Ficou curioso. Ordenou que os dois fossem trazidos à sua presença. Diante do rei fizeram uma profunda barretada, tirando seus chapéus.
“Falem-me sobre o tecido mágico”, ordenou o rei.
Um dos espertalhões, o mais loquaz, se pôs a falar.
“Majestade, diferente de todos os tecidos comuns, o tecido que nós tecemos é mágico porque somente as pessoas inteligentes podem vê-lo. Vestindo um terno feito com esse tecido Vossa Majestade será cercado apenas por pessoas inteligentes, pois somente elas o verão...”
O rei ficou encantado e imediatamente contratou os dois espertalhões, oferecendo-lhes um amplo aposento onde poderiam montar os seus teares e e tecer o tecido que só os inteligentes poderiam ver..
Passados alguns dias o rei mandou chamar o ministro da educação e ordenou-lhe que fosse examinar o tecido. O ministro dirigiu-se ao aposento onde os tecelões estavam trabalhando.
“Veja, excelência, a beleza do tecido”, disseram eles com a mãos estendidas. O ministro da educação não viu coisa alguma e entrou em pânico. “Meu Deus, eu não vejo o tecido, logo sou burro...” Resolveu, então, fazer de contas que era inteligente e começou a elogiar o tecido como sendo o mais belo que havia visto.
“Majestade”, relatou o minsitro da educação ao rei, “o tecido é incomparável, maravilhoso. De fato os tecelões são verdadeiras magos!” O rei ficou muito feliz.
Passados mais dois dias ele convocou o ministro da guerra e ordenou-lhe que examinasse o tecido. Aconteceu a mesma coisa. Ele não viu coisa alguma. “ Meu Deus”, ele disse, “ não sou inteligente. O ministro da educação viu e eu não estou vendo...” Resolveu adotar a mesma tática do ministro da educação e fez de contas que estava vendo. O rei ficou muito feliz com a seu relatório. E assim aconteceu com todos os outros ministros. Até que o rei resolveu pessoalmente ver o tecido maravilhoso. Mas, como os ministros, ele não viu coisa alguma porque nada havia para ser visto. Aí ele pensou: “Os ministros da educação, da guerra, das finanças, da cultura, das comunicações viram. São inteligentes. Mas eu não vejo nada! Sou burro. Não posso deixar que eles saibam da minha burrice porque pode ser que tal conhecimento venha a desestabilizar o meu governo...” O rei, então, entregou-se a elogios entusiasmados ao tecido que não havia.
O cerimonial do palácio determinou então que deveria haver uma grande festa para que todos vissem o rei em suas novas roupas. E todos ficaram sabendo que somente os inteligentes as veriam. A mídia, televisão e jornais, convidaram todos os cidadãos inteligentes a que comparecessem à solenidade.
No Dia da Pátria, a cidade engalanada, bandeiras por todos os lados, bandas de música, as ruas cheias, tocaram os clarins e ouviu-se uma voz pelos alto-falantes:
“Cidadãos do nosso país! Dentro de poucos instantes a sua inteligência será colocada à prova. O rei vai desfilar usando a roupa que só os inteligentes podem ver.”
Canhões dispararam uma salva de seis tiros. Ruflaram os tambores. Abriram-se os portões do palácio e o rei marchou vestido com a sua roupa nova.
Foi aquele oh! de espanto. Todos ficaram maravilhados. Como era linda a roupa do rei! Todos eram inteligentes.
No alto de uma árvore estava encarapitado um menino a quem não haviam explicado as propriedades mágicas da roupa do rei. Ele olhou, não viu roupa nenhuma, viu o rei pelado exibindo sua enorme barriga, suas nádegas murchas e vergonhas dependuradas. Ficou horrorizado e não se conteve. Deu um grito que a multidão inteira ouviu:
“O rei está pelado!
Foi aquele espanto. Um silêncio profundo. Seguido pelo grito enfurecido da multidão.
“Menino louco! Menino burro! Não vê a roupa nova do rei! Está querendo desestabilizar o governo! É um subversivo, a serviço das elites!”
Com estas palavras agarraram o menino, colocaram-no numa camisa de força e o internaram num manicômio.
Moral da estória: Em terra de cego quem tem um olho não é rei. É rebelde ou doido.
domingo, 25 de abril de 2010
O menino e o sapato.
Dia desses peguei meu filho brincando com meu sapato. Meu sapato favorito. Suas mãos estavam sujas e ele nem parecia se incomodar com isso. Em nenhum momento passou por seus pensamentos que ele poderia estar estragando meu sapato favorito. Alí estavam, meu filho e meu sapato favorito, prestes a ser danificado por este pequeno ser sem o mínimo de consideração pelas minhas coisas. Justo eu, tão cuidadoso com meus pertences. Detesto as coisas fora do lugar, ou sujas, empoeiradas.
Me chamam de materialista, mas só eu sei quanto custa cada coisa que tenho guardado até hoje. Dizem que não vou levar as coisas materiais para o lugar onde iremos na eternidade, mas não é por causa disse que vou deixar tudo ao deus-dará.
Aqui estou eu, diante desta cena, meu filho brincando com meu sapato favorito. Ainda esta semana engraxei meu sapato com tanto carinho, e agora, meu filhinho brinca com ele.
Como aprendeu a andar rápido, e já fica tentando colocar o sapato do papai. Como é parecido comigo, adoro quando ele me olha e dá um sorrisinho, como quem procura aprovação.
Como não retribuirei a este sorriso? Como não amá-lo? Meu filho! (Quem se importa com um sapato?)
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